quinta-feira, 23 de agosto de 2007

VOCÊ SABIA?




  • O consumo mundial de água aumentou seis vezes no século 20

  • Em 2050, uma em cada quatro pessoas viverá num país com falta de água

  • Para satisfazer as necessidades de água, materiais e energia dos cerca de 6 bilhões de habitantes da Tera consome-se 20% a mais do que o Planeta pode oferecer

  • Hoje, cerca de 2,4 bilhões de pessoas - quase a metade da humanidade - vivem sem saneamento básico

  • A Região Sudeste é a mais populosa do País, mas concentra apenas 6% da água disponível para consumo

  • No Brasil, 60% das internções nos hospitais públicos são motivados pelo consumo de água de má qualidade decorrente, em grande parte, da contaminação pelo esgoto doméstico

  • Toda essa sujeira causa doenã como tétano e disenteria, que matam milhões de pessoas todos os anos

  • O mundo produz uma vez e meia a quantidade de comida necessária para alimentar os 6 bilhões de seres humanos. Mas cada 7 pessoas, 1 passa fome. A cada ano, carca de 6 milhões de crianças morrem de desnutrição nos países pobres

  • Quando for limpar o quintal ou calçada use a vassoura e não a mangueira. Assim será possível economizar em média 280 litros de água a cada vez, o suficiente para encher meia caixa d'agua pequena

  • Num banho quente de 10 minutos, além dos 150 litros de água que saem do chuveiro elétrico, são utilizados mais 140 a 300 litros para geração de energia elétrica para aquecimento da água do chuveiro

Mahatma Gandhi

“A TERRA PODE OFERECER O SUFICIENTE PARA SATISFAZER AS NECESSIDADES DE TODOS OS HOMENS, MAS NÃO A GANÂNCIA DE TODOS OS HOMENS”

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

QUANDO O CONSUMISMO É DOENÇA

Eles inventaram a palavra marketing. Foram os primeiros a criar cursos de publicidade e a oferecer prêmios para os maiores vendedores. Vivem no país mais consumista do mundo. E, pasmem, não agüentam mais o assédio da propaganda. O desconforto crescente dos norte-americanos contra a avalanche de telefonemas oferecendo produtos e serviços levou o presidente George W. Bush a declarar guerra. Depois do Afeganistão e do Iraque, o próximo alvo do furor bélico do presidente dos Estados Unidos é o ... telemarketing.
Foi criado este mês um cadastro nacional contra ligações. Pelo número 1-888-382-1222 ou pela internet ( www.donotcall.gov), os consumidores que queiram impedir ligações de operadoras de telemarketing poderão se inscrever gratuitamente. O cadastro não incluirá as chamadas de políticos, religiosos e organizações filantrópicas. A partir do dia primeiro de outubro, as operador5as que ligarem para os consumidores inscritos no cadastro pagarão multa no valor de 11 mil dólares.
Esta nova lei é apenas um exemplo de como o estilo de vida consumista esta sendo cada vez mais questionado em solo norte-americano. No relatório Perspectivas sobre a Criança e a Mídia , produzido pela Unesco no ano de 2000, os pesquisadores advertem que as crianças são as maiores vitimas dessas overdose de propaganda. O estudo revela que as empresas norte-americanas destinam aproximadamente 12 bilhões de dólares por ano anúncios para crianças. Alguém poderá perguntar: por que gastar tudo isso com o publico infantil? A resposta virá em números: atualmente, as crianças norte-americanas influenciam compras que totalizam 500 bulhões de dólares. Indefesas diante dos inúmeros recursos utilizados pela publicidade para estimular o consumo _ manipulação se sons, imagens e arquéticos que agem sobre o inconsciente _ , são estimuladas, desde pequenas, a consumir muito mais do que necessitam.
Segundo os persquisadores da Unesco, um dos males decorrentes do consumo infantil é a obsidade, doença já considerada problema de saúde pública nos Estados Unidos. Os comerciantes de doces, biscoitos, guloseimas e redes de fast food que recorrem aos truques de animação gráfica ou ao auxílio luxuoso dos super-heróis da TV – que aparecem bem na função de garotos-propaganda – hipnotizam a garotada.
Outro problema denunciado no relatório é o estresse familiar. Quando quem sustenta a casa é obrigado a dizer “não” a um apelo consumista que parte do filho, da filha, do companheiro ou companheira, o resultado costuma ser desgastante: brigas, conflitos, disputas e, eventualmente, um desejo tão grande de ter aquilo que a propaganda exibe que não medem esforços – ou escrúpulos – para alcançar o objetivo.
A banalização do consumo remete a um questionamento sobre o papel da mídia na sociedade moderna. Nos primórdios da publicidade, os profissionais do ramo se preocupavam apenas em explicar o que era e para que servia determinado produto. Hoje isso mudou bastante, como explica Rolf Jensen, autor do livro The dream society ( A sociedade do sonho): “ Os produtos no futuro deverão apelar para os nossos corações, e não para as nossas cabeças. Quando isso acontecer, o modelo que prevalecerá não será mais o da Sociedade da Informação, mas o da Sociedade dos Sonhos”.
Há algo de inquietante nessa previsão. É difícil imaginar um mundo de sonhos num planeta onde a publicidade alcança indistintamente ricos e pobres ( muito mais os pobres do que ricos), que são seduzidos pelos mesmo apelos vorazes de consumo, mas não respondem da mesma maneira a esses apelo. Em resumo: quem tem dinheiro, banco o “sonho”; quem não tem, lida com o fracasso, com a frustração e com a angustia de viver numa sociedade de consumo que privilegia não o que se é, mas o que se tem.
Para piorar a situação, mesmo quem tem cacife para bancar o “sonho” muitas vezes mergulha no pesadelo de nãp conseguir preencher o vazio existencial que continua incomodando mesmo quando o dinheiro não é problema.
A doença do consumismo tem nome e preocupa as autoridades nas áreas de saúde do Brasil: chama-se oneomania, ou consumo compulsivo. Segundo dados do Instituto de Psiquiatria do Hospital das clínicas de São Paulo, 3% dos brasileiros , a maioria mulheres, compram compulsivamente. È gente que usufrui apenas o momento da compra, mas não o produto, que muitas vezes é deixado de lado por não ter utilidade alguma. A baixa auto-estima e o sentimento de vazio são constantes. Depois da compra vem o sentimento de culpa.
Em uma ótima reportagem sobre o assunto, publicada no jornal O Estado de Minas, a psiquiatra e psicoterapeuta Ana Ester Nogueira Pinto explica: “ Uma pessoa normal em um impulso, mas é capaz de resistir. O compulsivo gasta sempre mais do que pode, prejudicando-se financeiramente. Normalmente, as dívidas dos doentes chegam a cinco ou dez vezes mais do que a renda mensal”. Os consumidores compulsivos são em sua maioria pessoas angustiadas ou ansiosas, que tentam preencher ou sufocar essas sensações por meio de compulsão. O tratamento psicológico é acompanhado do uso de antidepressivo e ansiolíticos.
O gerente do Procon em Belo Horizonte, Bruno Burgarelli, denuncia na reportagem a falta de clareza nas informações sobre compras parceladas e os juros das prestações: A publicidade enganosa e abusiva acaba induzindo ao erra, seja por ação ou omissão”.
Vem da terra do Tio Sam – templo sagrado do consumismo – uma bela lição em forma de música. Na trilha sonora do desenho animado Mogli, o menino lobo ( disney, 1967), o urso Balu, responsável pela educação de Mogli numa selva repleta de predadores, catarolava a música Bare necessities, que trazia o refrão assim traduzido para o português: “Necessário, somente o necessário, o extraordinário é demais”
Vivemos num planeta que oferece o necessário para todos. Se ainda assim não conseguimos ser felizes, talvez a culpa seja nossa.
PUBLICADO NO SITE ECOPOP EM
25/07/2003.

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

CONSUMINDO A VIDA


Avassaladora fará consumista desencadeada a partir da Revolução Industrial, potencializada com o avanço tecnológico dos meios de produção e universalizada pela mídia na era da globalização, está custando caro ao planeta. Há evidentes sinas de exaustão dos recursos naturais não-renováveis, já denunciados em sucessivos relatórios do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), no estudo divulgado pela organização não-governamental WWF, segundo o qual “ o consumo de recursos naturais já supera em 20% ao ano a capacidade do planeta de regenerá-los”, ou, ainda no relatório Estado do Mundo 2004, Worldwatch Institute, no qual se afirma que “ o consumismo desenfreado é a maior ameaça à humanidade”. Os pesquisadores do Worldwatch denunciam que “altos níveis de obesidade e dívidas pessoais, menos tempo livre e meio ambiente danificado são sinais de que o consumo excessivo está diminuindo a qualidade de vida de muitas pessoas”. O lado perverso desse consumo excessivo é que ele se restringe a uma minoria concentrada principalmente nos países ricos. Apenas 1,7 bilhões dos atuais 6,3 bilhões de pessoas que habitam o planeta têm hoje condições de consumir além das necessidades básicas. Ainda assim, a demanda por matéria-prima e energia cresce, precipitando o mundo na direção de um impasse civilizatório: ou a sociedade de consumo enfrenta o desafio da sustentabilidade ou teremos cada vês menos água doce e limpa, menos florestas, menos solos férteis, menos espaço para a monumental produção de lixo e outros efeitos colaterais desse modelo suicida de desenvolvimento.
Cada um de nós, independentemente do poder aquisitivo, pode fazer a sua parte na construção de uma nova sociedade de consumo, em que a compra de cada produto ou serviço seja procedida de alguns pequenos cuidados. Dar preferências aos fabricantes ou comerciantes comprometidos com a energia limpa, redução e reaproveitamento de resíduos, reciclagem de água, responsabilidade social corporativa e outras iniciativas sustentáveis é um bom começo. Assim como checar se o que pretendemos adquirir é realmente necessário e fundamental. O conceito de necessário viria de pessoa para pessoa, é assunto de foro íntimo. Mas pode-se descobrir, nesse exercício, os sintomas de uma doença chamada oneomania, ou consumo compulsivo, que, de acordo com pesquisa do Instituto de Psiquiatria dos Hospital das Clínicas de São Paulo, acomete aproximadamente 3% da população brasileira, em sua maioria mulheres. É gente que usufrui apenas do momento da compra, para muito rapidamente deixar o produto de lado e, não raro, mergulhar num sentimento de culpa ou em agiotas oneomaníacos.
O fato é que a maioria dos brasileiros simplesmente não tem a opção de consumir mais do que o necessário. De acordo com a Pesquisa de Orçamento Familiar (POF/2003) do IBGE, considerando a soma dos rendimentos e das despesas das famílias brasileiras, somente naquelas em que a faixa média de renda ultrapassa os 4 mil reais por mês há algum dinheiro sobrando. Nesses casos, tem-se a opção de consumir algo mais com relativo conforto. Estamos falando de uma minoria estimada em 17 milhões de brasileiros. Por essa conta, 165 milhões estariam excluídos da f arra consumista, mas não isentos do bombardeio de anúncios que abrem o apetite para sonhos de consumo irrealizáveis e que, muitas vezes, geram ansiedades, angústia e frustração. A resignação é o caminho. A depressão, um risco . A violência, uma possibilidade.
Por tudo isso, em diversas partes do mundo celebrou-se ontem o Buy NOthing Day (“Um dia sem compras”), protesto simbólico idealizado pela ONG canadense Adbuster Foundation Media (http://www.adbusters.org/), que há 13 anos vem sugerindo nessa data uma pausa no transe de consumo. Desprezado pela grande mídia, o protesto na verdade é um alerta para a urgência de mudarmos hábitos e comportamentos fortemente arraigados em nossa cultura. No Brasil, o Instituto Akatu pelo Consumo Consciente (http://www.akatu.net/) e o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor ( http://www.odec.org.br/) também desenvolvem campanhas alertando os consumidores. O consumo é fundamental à vida. O consumismo desequilibra a vida. Tomar partido a favor do consumo consciente, como sugerem essas organizações, é uma questão de sobrevivência.

Publicado no jornal O Globo em 27/11/2004,
um dia depois do Buy Nothing Day
(“Um dia sem Compras).